segunda-feira, 13 de abril de 2015

areia e sal

Calam-se os batentes das portas.Sopram-se as chamas dos dias. Acende-se a penumbra nos dedos.
Areia e sal.
Vou ficando aqui, com o vento a servir-me um sorriso, e as nuvens a rir da passagem breve das gaivotas, Gosto de ficar assim, escutando os olhos do tempo, sobrevivente e única.
A noite nunca está aqui à minha espera Nem tu. Uma e outro servem-se de um princípio para,como um meio, me reservarem um fim.Na aresta de cristal já crescia,porém, em mim a opacidade nocturna. Um atraso   serve-se frio e pode ser um nunca mais.
Por isso mantive-me ali até ser rocha e receber nas costas palavras salgadas do mar.
E sentir nas minhas mãos de pedra as tuas mãos de fogo, onde, ainda intacto, o verão morria.
Querer voltar em ti todas as noites, como a gaivota que se  esqueceu das asas.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Ruralidades



Subindo o monte mais alto
Rasgando o céu mais comprido
Galgando o rio mais largo
Os pés na terra húmida
As mãos no  húmus seco e negro
Os lábios no feno decepado
E o corpo uma videira.
Assim existo
E ao longe o eco de um latido
            E o cheiro doce -  fétido do gado

Raízes



E quando voltar dos campos em flor
ouvirei o cantar das margaridas no teu peito.
Podemos voltar a plantar as mãos.
Saberei então que é primavera
será março e, pensamos nós,
chegarás renovado à minha nova morada.
Ali começaremos então com o futuro
e as palavras poderão libertar-se
até aos sexos.

Deitar-me a teu lado



Hoje queria que fosse olhar a tua mão
Todas as palavras fossem lábios
E todos os toques encantamento.
Hoje queria deitar-me a teu lado
E sentir as marés.