Calam-se os batentes das portas.Sopram-se as chamas dos dias. Acende-se a penumbra nos dedos.
Areia e sal.
Vou ficando aqui, com o vento a servir-me um sorriso, e as nuvens a rir da passagem breve das gaivotas, Gosto de ficar assim, escutando os olhos do tempo, sobrevivente e única.
A noite nunca está aqui à minha espera Nem tu. Uma e outro servem-se de um princípio para,como um meio, me reservarem um fim.Na aresta de cristal já crescia,porém, em mim a opacidade nocturna. Um atraso serve-se frio e pode ser um nunca mais.
Por isso mantive-me ali até ser rocha e receber nas costas palavras salgadas do mar.
E sentir nas minhas mãos de pedra as tuas mãos de fogo, onde, ainda intacto, o verão morria.
Querer voltar em ti todas as noites, como a gaivota que se esqueceu das asas.
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