Pela calada da noite há soluços de estrelas e risos dos raios de luar.O motor cinzento dos carros espalha-se na rua infiltrando-se pelas janelas e pairando sobre a minha cama com seus gases de escape.Escapo também, e protejo-me desta noite emersa em outra noite negra, feita de medos e ausência.
Sonambulo.
Vou engolindo a música dos carros como um astro golpeando-me a garganta.
Embarro contra as janelas.
Ébrias de cortinas.
E há como que uma terceira noite pendendo do varão sobre o vidro.
O círculo de luz no teto
É o etéreo caminho onde me penduro à espera do sono,
Que não do sonho.
A noite abandonou a rua, o quarto, as cortinas, os olhos. E ficou apenas o seu cheiro anunciando velhas, cada vez mais velhas, madrugadas.
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