segunda-feira, 3 de novembro de 2014

noturno nº 3

Pela calada da noite há soluços de estrelas e risos dos raios de luar.O motor cinzento dos carros espalha-se na rua infiltrando-se pelas janelas e pairando sobre a minha cama com seus gases de escape.Escapo também, e protejo-me desta noite emersa em outra noite negra, feita de medos e ausência.
Sonambulo.
Vou engolindo a música dos carros como um astro golpeando-me a garganta.
Embarro contra as janelas.

    Ébrias de cortinas.

E há como que uma terceira noite pendendo do varão sobre o vidro.

   O círculo de luz no teto
   É o etéreo caminho onde me penduro à espera do sono,

Que não do sonho.

A noite abandonou a rua, o quarto, as cortinas, os olhos. E ficou apenas o seu cheiro anunciando velhas, cada vez mais velhas, madrugadas.

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