Brincávamos com as mãos no tempo em que os castanheiros escondiam gnomos. À noite, nenhuma parte do corpo ficava por descobrir. Era como se nos entendêssemos pelos dedos.
Ninguém nunca me tinha dito que de noite os corpos eram tão quentes.
Deixávamos por momentos de ser um
Na confusão de dois
Perdíamos a nossa própria alma.
Estávamos completamente nus, de roupa e de memórias.
Nus e praticáveis.
Encontrámos por isso o infinito noturno.Perdíamo-nos e nunca nos achávamos. Tinhamos um especial deleite nisso, em andar a vaguear pelo universo, etéros e voláteis, como um único sonho que não tinha fim.
Estávamos completamente imbuídos um do outro e fazíamos de conta que morríamos.
Havia no entanto uma exceção, quem sabe um sinal.
A flor murchava na jarra e o seu perfume morria-nos pela boca.
Inconscientes adormecíamos em nome da noite enquanto o dia era um porvir suspenso do sol.
Lia-se no horizonte o nome da manhã. A manhã chamava-se pelo teu nome.
A inspiração da aurora era um delito noturno. A aurora chamava-se pelo meu nome.
Morríamos pelo sol. E nem sequer tínhamos nomes. Nem eu. Nem tu.
Entre os nossos corpos juntos na morte cresciam musgo e flores.
Mas acordaste mais cedo, apesar de ser num destempo que não tinha presente.
Enquanto eu, no torpor inconsciente da noite, nunca mais desanoiteci.
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