As
mulheres trazem lenços colados ao pescoço e caminham pelas bermas,
caladas. A estrada é de pó e pedras. Às saias das mulheres agarram-se
uma dezena de mãos de crianças, desprovidas de braços ou pernas. Mãos
apenas. No coração das mulheres brilham dois olhos feitos de estilhaços de bombas.
Uma delas afastou o vidro da televisão, entrou na sala e parou ali mesmo, a meio caminho entre a estrada de pó e o sofá amarelado e de couro onde eu me sentava, sentindo pena, sentada. Levantou a mão, devagar, muito devagar, ergueu um dedo e apontou-mo.
A bala saiu sem eu a ouvir. Raspou-me ao de leve a pele e alojou-se por inteiro no centro da minha consciência. Nem sei a hora em que morri.
As mulheres taparam a cara com os lenços que traziam atados ao pescoço e continuaram a sua caminhada pela berma da estrada de pó e pedras, caladas. O campo de refugiados ainda não se avistava no horizonte castanho e eu já não tinha sofá.
Uma delas afastou o vidro da televisão, entrou na sala e parou ali mesmo, a meio caminho entre a estrada de pó e o sofá amarelado e de couro onde eu me sentava, sentindo pena, sentada. Levantou a mão, devagar, muito devagar, ergueu um dedo e apontou-mo.
A bala saiu sem eu a ouvir. Raspou-me ao de leve a pele e alojou-se por inteiro no centro da minha consciência. Nem sei a hora em que morri.
As mulheres taparam a cara com os lenços que traziam atados ao pescoço e continuaram a sua caminhada pela berma da estrada de pó e pedras, caladas. O campo de refugiados ainda não se avistava no horizonte castanho e eu já não tinha sofá.

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