Houve
um tempo em que não havia tempo. Saíamos da escola para roer umas
sandes nos rochedos. Ali, onde rio e mar se abraçam. Creio que havia um
farol, também, mas nem sei se fui eu que o inventei, tantos anos
passaram sobre o pão que comíamos.
Líamos Pessoa ou colecionávamos silêncios. De vez em quando as mãos roçavam como se por acaso, mas não havia nisso acaso nenhum. Tudo parecia perfeito se bem que o soubéssemos impossível. E por ser impossível o repetíamos com aquele ar de quem não quer a coisa que sempre nos caraterizou.
Naquela altura eu achava que tu eras maior do que tu próprio. Na realidade, maior do que qualquer outra pessoa ou momento. Naquela altura pensava o quão pequena eu era. E era.
Sei exatamente o momento em que me apaixonei por ti. Pegaste ao colo um mendigo que adormecera na estrada e colocaste-o com ternura no passeio. Não falámos nunca sobre o assunto, como se aquilo não fosse assunto mas foi nessa altura que eu meti a tua imagem dentro de mim.e vi que cabia lá na perfeição. Apesar de saber que era impossível.
Naquela altura havia menos gaivotas e mais traineiras. Contávamos as traineiras. Não me lembro se levávamos vinho, mas ainda me lembro do teu nome e de ficar como que embriagada. Talvez a culpa fosse do mar que era, então, etílico e me toldava os sentidos. Ou talvez houvesse mesmo vinho, e fosse o mar que não existia. Nem sei.
Passaram imensos anos….se calhar o mar já não passa por aqueles rochedos , o mendigo provavelmente morreu e agora há mais gaivotas para contar do que traineiras.
E nós perdemo-nos um do outro, sem nunca esquecermos , no entanto, as datas dos aniversários.
E eu nem sei se inventei isto tudo só pela necessidade de justificar que ali, perto do Passeio Alegre, havia outrora mar e pedras e talvez um farol e as migalhas que por lá deixámos.
Líamos Pessoa ou colecionávamos silêncios. De vez em quando as mãos roçavam como se por acaso, mas não havia nisso acaso nenhum. Tudo parecia perfeito se bem que o soubéssemos impossível. E por ser impossível o repetíamos com aquele ar de quem não quer a coisa que sempre nos caraterizou.
Naquela altura eu achava que tu eras maior do que tu próprio. Na realidade, maior do que qualquer outra pessoa ou momento. Naquela altura pensava o quão pequena eu era. E era.
Sei exatamente o momento em que me apaixonei por ti. Pegaste ao colo um mendigo que adormecera na estrada e colocaste-o com ternura no passeio. Não falámos nunca sobre o assunto, como se aquilo não fosse assunto mas foi nessa altura que eu meti a tua imagem dentro de mim.e vi que cabia lá na perfeição. Apesar de saber que era impossível.
Naquela altura havia menos gaivotas e mais traineiras. Contávamos as traineiras. Não me lembro se levávamos vinho, mas ainda me lembro do teu nome e de ficar como que embriagada. Talvez a culpa fosse do mar que era, então, etílico e me toldava os sentidos. Ou talvez houvesse mesmo vinho, e fosse o mar que não existia. Nem sei.
Passaram imensos anos….se calhar o mar já não passa por aqueles rochedos , o mendigo provavelmente morreu e agora há mais gaivotas para contar do que traineiras.
E nós perdemo-nos um do outro, sem nunca esquecermos , no entanto, as datas dos aniversários.
E eu nem sei se inventei isto tudo só pela necessidade de justificar que ali, perto do Passeio Alegre, havia outrora mar e pedras e talvez um farol e as migalhas que por lá deixámos.

Sem comentários:
Enviar um comentário