Tu tinhas a mão aberta sobre a mesa e o indicador direito liberto de aliança.A cabeça pousava no ombro como um espelho absorvendo a sonolência da água. Estavas sentado no rebordo de um copo, de costas voltadas para mim e raspavas por baixo e na margem o verso de uma folha de papel, virgem, branca. A caneta caíra de bêbeda na poça da cerveja derramada e no copo vazio, peixes gritavam ao rubro. Sobre o teu olhar despontavam desejos verdes, maduros, e no espaço entre as minhas costas e as tuas cresciam,do chão, desejos de silêncios com corpos e sombras encrustadas e cresciam fluxos de impulsos numa fusão de sinais.
Ao longe a areia parecia, por dentro, uma harpa de sons.
Eu bebia narcisos e nenúfares e imaginava que dos teus lábios nasciam pólen e flores.
No entanto, sabia que tinha desaguado ali com uns minutos de atraso. A minha hora era não estar ali. E a tua mão era grande, mas o papel continuava em branco.
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