quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Miopia

Há muito que te deixei no passado com o teu rasto tingido na linha do horizonte. A sombra como uma nuvem, a tua calça azul clara e a respiração do vento ao longe. Há muito que te parei na pausa do presente, suspenso do minuto impossível , pronto a terminares o gesto infinito, o antiácido que nunca iniciaste. Assim te libertei dos laços, nos lábios o pólen, e te pude cruxificar de espinhos de papoilas e margaridas e dos teus risos atingir fontes subterrâneas, cascatas interiores que se estilhaçaram no mais fugaz dos sorrisos. Há muito que deixei de perseguir esse momento onde apenas a curva do olhar era diferente.

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