O
tempo, aqui, para. Como param os relógios, ou os comboios nas gares que
já pisamos juntos. Se fixar um pinheiro, daqueles que nem se agitam por
baixo da varanda que dá para um rio que já não se vê, posso ver crescer o
tronco, na lentidão dos segundos que nos escaparam das mãos. Percebi
agora, que quando o tempo para, a memória corre. Como se houvesse uma
relação contrária. A memória anda a destempo.
Tanto mais rápida quanto mais lentos são os minutos. Talvez por isso me
soem nos ouvidos todos os nomes. Todos os nomes que já me sussurraram
ao ouvido ( principesca…lembras-te? Talvez o mais bonito. Numa época em
que as estações se confundiam e não paravam de nos crescer árvores no
peito.). A vela acesa na entrada da casa…As noites sob o luar, quando a
fogueira era aquela chama que acompanhava o nosso sono pelos aléns dos
montes…Mais atrás, a minha primeira ida ao dentista. Mais à frente,
aquela árvore que testemunhou as juras que fizemos. Como se o facto de
se dizer juro tivesse de facto alguma importância para além do momento.
Pedro Barroso e o silêncio. Caetano e a ausência. Caminho de velas,
bilhetes que se trocam, e as palavras tão perecíveis como o papel onde
se estacionam, impúdicas, nuas. O tempo parou. Apesar disso envelhecemos
todos, eu e as palavras .Não, nunca somos únicos e especiais . Há
sempre um pormenor mais importante, mais especial. Nem que seja um
jantar, um outro alguém, uma bebida. Um quase nada . Um quase tudo.
Às vezes é melhor desligarmos os telemóveis. Assim, podemos ficar sempre a pensar que a culpa é do telefone desligado.
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