quinta-feira, 2 de outubro de 2014

fingimento

Esta noite a lua virá adormecer-me os braços, e ouvirei as tuas palavras com os olhos, Dir-me-ás tudo o que já sei, tudo o que me apetece ouvir, como se estivesse descalça a atravessar rochedos, praias, mares e rios em busca de ti. Deitar-te-ás a meu lado numa cama que não temos, com corpos que não são nossos, e abraçar-nos-emos naquele segundo que não consta dos relógios nem do tempo. Aquele segundo que não existe, que vem antes e depois de qualquer outro, sem chegar nunca a acontecer. Estaremos ambos nus, unidos por um único ponto, roubado à nossa carne, os lábios transparentes e uma chuva tranquila a tornar mais íntimo o que há de noite em nós. Ao lado, o gato espreguiça-se, as janelas movimentam-se pela parede e o que há de nós na casa tornar-se-á cada vez mais íntimo. Esta noite não haverá lua, os meus braços estarão sempre despertos e tu não chegarás .Esta noite será a fingir.

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