Recordo-te
em mim numa noite da memória quando as mãos se encontraram sem se
perderem e as máscaras ficaram pousadas aos pés da cama porque naquele
instante não tínhamos desculpa para as usar.
Momentos em que ganhavas corpo entre as pregas do desejo E o tempo era essa espiral de pressa que nos engolia.
Adormecemos no nome um do outro, a noite alongando-se nos teus cabelos, prolongando-se pelos teus braços e derramando constelações sobre lençóis. Tudo se incendiava: os lençóis, as cortinas, os braços, os nossos sonhos, as vozes. Tínhamo-nos contra o tempo e contra o corpo até sermos apenas um e pensarmos na hipótese de morrermos enlaçados pela noite.
Nessa altura, descansámos de todos os carnavais da vida. Tirámos as máscaras, os sapatos grandes de palhaço, a boina de pierrot, as sabinas de columbina. Despimos o lenço de pirata, o chapéu de bobo, as luvas de ilusionista…Abandonámos todas as vidas anteriores, os momentos desperdiçados, as ausências inventadas, apenas porque , permanecendo assim, um no outro, nos possuíamos e encontrávamos a nós.
Manter-te em mim demorou toda uma noite.
Mas a manhã chegou, carregada de urgências de partir. Era preciso voltar às máscaras e ao dia. Em cada máscara que vestíamos, perdíamo-nos de ti e de mim , até que o inverno desabou, definitivo, sobre nós.
Hoje vivo de novo os meus mil papeis e sei apenas soletrar o nome de todas as coisas que já foram nossas. Digo casa, gato, carro, cão, pedras, flores, mar…e repito as palavras inventadas até à hora de partires.
O carnaval instalou-se para sempre. As máscaras colaram-se ao corpo, o fogo apagou-se e apenas ficou a memória dos olhos noturnos que inspiraram esse silêncio imenso sobre os ombros.
Momentos em que ganhavas corpo entre as pregas do desejo E o tempo era essa espiral de pressa que nos engolia.
Adormecemos no nome um do outro, a noite alongando-se nos teus cabelos, prolongando-se pelos teus braços e derramando constelações sobre lençóis. Tudo se incendiava: os lençóis, as cortinas, os braços, os nossos sonhos, as vozes. Tínhamo-nos contra o tempo e contra o corpo até sermos apenas um e pensarmos na hipótese de morrermos enlaçados pela noite.
Nessa altura, descansámos de todos os carnavais da vida. Tirámos as máscaras, os sapatos grandes de palhaço, a boina de pierrot, as sabinas de columbina. Despimos o lenço de pirata, o chapéu de bobo, as luvas de ilusionista…Abandonámos todas as vidas anteriores, os momentos desperdiçados, as ausências inventadas, apenas porque , permanecendo assim, um no outro, nos possuíamos e encontrávamos a nós.
Manter-te em mim demorou toda uma noite.
Mas a manhã chegou, carregada de urgências de partir. Era preciso voltar às máscaras e ao dia. Em cada máscara que vestíamos, perdíamo-nos de ti e de mim , até que o inverno desabou, definitivo, sobre nós.
Hoje vivo de novo os meus mil papeis e sei apenas soletrar o nome de todas as coisas que já foram nossas. Digo casa, gato, carro, cão, pedras, flores, mar…e repito as palavras inventadas até à hora de partires.
O carnaval instalou-se para sempre. As máscaras colaram-se ao corpo, o fogo apagou-se e apenas ficou a memória dos olhos noturnos que inspiraram esse silêncio imenso sobre os ombros.

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