sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Eusoutu

E será proibido despirmo-nos, apenas, da nossa própria pele. Tudo o mais poderá acontecer. Recusarmos a concha, vendermos a alma, sujarmos os sapatos, roubarmos maçãs. Estaremos entre aspas, permitindo que cada um seja apenas a metade do rosto do outro. Podemos confundir as mãos, misturar os corpos, plasmar sorrisos. Pensei em irmos os dois esconder a paisagem nos olhos, queres? Ou então enterrarmo-nos na areia, lá, onde o mar encontra a terra e nela despeja o seu hálito de algas e a foz aparece, como um pano de fundo que ninguém consegue lavar. Podemos ser peixes, quem sabe…Ou aves, podemos sempre ser aves. Afinal já limpámos as asas. Ah! Lembrei-me que há dias em que gostas de ser palavra. Podemos juntar as letras ao acaso, sem nexo, para não dizermos nada e podermos apenas ler as páginas dos olhos. Telefona-me. Diz-me que programa te apetece fazer…se te interessa o norte, ou o deserto, ou aquela montanha onde já fomos árvore um dia. Serei tudo o que quiseres. Hoje o meu dia és tu.


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