E será proibido despirmo-nos, apenas, da nossa
própria pele. Tudo o mais poderá acontecer. Recusarmos a concha,
vendermos a alma, sujarmos os sapatos, roubarmos maçãs. Estaremos entre
aspas, permitindo que cada um seja apenas a metade do rosto
do outro. Podemos confundir as mãos, misturar os corpos, plasmar
sorrisos. Pensei em irmos os dois esconder a paisagem nos olhos, queres?
Ou então enterrarmo-nos na areia, lá, onde o mar encontra a terra e
nela despeja o seu hálito de algas e a foz aparece, como um pano de
fundo que ninguém consegue lavar. Podemos ser peixes, quem sabe…Ou aves,
podemos sempre ser aves. Afinal já limpámos as asas. Ah! Lembrei-me que
há dias em que gostas de ser palavra. Podemos juntar as letras ao
acaso, sem nexo, para não dizermos nada e podermos apenas ler as páginas
dos olhos. Telefona-me. Diz-me que programa te apetece fazer…se te
interessa o norte, ou o deserto, ou aquela montanha onde já fomos árvore
um dia. Serei tudo o que quiseres. Hoje o meu dia és tu.
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