sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Asas

Rasguei os momentos. Assim, como se rasga sem querer o vestido que se adora ou o bilhete que já não nos diz nada. No chão espalharam-se bocados de todas as cores , cada um tocando o som de uma história inacabada, como se em nenhum dia eu tivesse existido na realidade de um personagem. Rasguei os momentos. Os que queria e os que não queria, no gosto de os perder, com medo apenas de te perder, a ti, que és o momento .
E o que tenho agora chega-me para uma eternidade: esta vontade de voar, de vibrar nas cordas de todos os violinos do mundo e, por mais um instante, um instante de nada, continuar a ser ave. Aquela ave que vive no fundo dos teus olhos e que eu sei que um dia também partirá. Mas até lá, não haverá céus que cheguem para as nossas asas.

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