Às vezes dou comigo a passear por aí, pensando
que sou eu quando, por qualquer motivo, me apercebo que não sou. Parece
que por baixo da minha pele há outras que não sendo minhas o são. E que
por vezes, trocam de lugar e afloram. As minhas várias
peles revezam-se em mim. E assim de repente cruzo-me comigo própria na
esquina de uma rua de Matosinhos e noto que nem eu, nem eu, nos
reconhecemos e continuamos a caminhar como duas pessoas distintas.
Pergunto-me, nessas ocasiões, quem és tu, mas as minhas várias peles
teimam em não me responder, gostam de me baralhar …E dentro de cada
pele, a luta pelo que sou, atenta ao que não sou. Seremos sempre duas,
três…as que eu quiser fazer crescer dentro de mim…No entanto, a essência
mantém-se.
E a essa, apenas a minha pele a cobre. Abraçando-a.

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