quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Profundidade 102



 

O silencio entra   na minha porta
Com um fulgor raro de sol.
Entre  os poros acendem-se os instantes
Das tuas mãos crescentes no meu peito.
Éramos jovens, porém não o sabíamos.
Acreditávamos que o futuro tinha asas.
E na espera tangente do possível
Um grito de urgência quebrou –nos os pulsos.
Imóveis, hoje somos ambos pássaros
Para quem qualquer céu é sempre alto demais
E qualquer profundidade demasiado curta.

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