quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Amigos


Eles partiram carregados de nada. Levaram-se um ao outro pela estrada fora , estrada que era nenhuma, que era todas as estradas que existiam entre este e o outro lado do universo.
Iam nus de malas e recordações. Partiram como quem vai, nunca como quem fica.
Ela foi ficando do lado de cá da vida, carregada de tralhas inúteis, lembranças brancas, caminhos nenhuns. Entre quatro paredes, vários nomes, mil e uma promessas, catorze ansiedades. Tudo por resolver.
Ao princípio sentiu-se só. Depois habituou-se a subir, noite após noite, até ao reflexo da lua sobre o lago de bronze. Dali passou a avistá-los, vigiá-los, até acariciá-los. Foi perdendo o seu próprio tempo. Já não era mais do que um som, um murmúrio, um deslizar de estrelas no convés da noite.
Na proa da sua vida , como um farol, o perfume do vinho que outrora lhes enchera, aos três, os copos.


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